Raízes...

30.12.19



Estava tudo muito escuro, não fora, mas dentro de mim.

Como se uma grande árvore velha rasgasse o meu peito, perfurando meus pulmões e principalmente o coração, que jorrava alegria e respingava amor. O corpo tomado por galhos e troncos, enraizado, preso.

Braços e pernas tentavam fugir dos galhos reforçados, mas os frutos pesados não permitiam. Eu ficaria ali, cultivando aquelas sementes que foram plantadas em mim.

A chuva salgada me lavava por completo, refrescado cada parte do meu ser. E a grande árvore rangia, fazendo com que o coração sangrasse um pouco mais, lavando tudo com a enxurrada de emoções.

Quem era eu? Ou quem fui?

O corpo já frio e cansado não tinha medo, nada importava.

Era isso e pronto.

Enraizada, presa em uma árvore que eu mesma plantei.



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