As lendas do "Cementerio de la Recoleta"

18.9.20

 

Foto do site oficial Turismo Buenos Aires - Gobierno de Buenos Aires

Buenos Aires é um lugar muito diversificado que recebe turistas de diferentes partes do mundo. É muito comum você andar pelas ruas da cidade e escutar pessoas falando em diferentes idiomas durante todo o ano, sem falar que a capital oferece diferentes atrações e lugares para os turistas (e quem mora aqui sabe muito bem desfrutar de tudo isso).

 

Um dos pontos turísticos mais conhecidos é o cemitério de Recoleta, que se encontra no bairro de mesmo nome, lugar que guarda o leito de várias pessoas famosas, dentre eles: ex-presidentes, artistas, escritores, poetas e heróis da independência. Além da fama daqueles que “dormem” eternamente ali, é importante mencionar que muitas das esculturas das lápides e mausoléus foram feitos por grandes escultores e arquitetos, convertendo o local em um verdadeiro museu a céu aberto, por esse motivo que em 1946 o cemitério foi considerado um Museu Histórico Nacional. Hoje em dia, mais de 90 tumbas foram declaradas como monumentos históricos.

 

Para ter um espacinho de eterno descanso, o valor pode variar entre U$25.000 a U$55.000, mas o mais curioso de tudo, é que esse cemitério foi o primeiro cemitério público da cidade e com o tempo se tornou exclusivo das famílias com grande poder aquisitivo, gerando uma competição entre quem tinha o mausoléu mais majestoso.

 

Com tantos anos de história, é claro que o lugar possui suas lendas e mistérios. Sem contar que existem passeios noturnos agendados onde contam mais sobre as personalidades ali enterradas.

 

Então vem comigo conhecer algumas delas!

 

A mulher que morreu duas vezes.



Rufina Cambaceres, filha do escritor Eugenio Cambaceres e da bailarina Luisa Baccichi, perdeu o pai com apenas 14 anos de idade, porém, por conta de sua fama, conviviam entre os membros da alta sociedade e logo se converteu na prometida de Hipólito Yrigoyen (futuro presidente). Dizem as más línguas que sua mãe, viúva, não demorou muito em ser amante de Hipólito, o que traria um grande desgosto para a filha. No dia 31 de maio de 1902, no aniversário de 19 anos de Rufina, logo após o término da festa, escutam o grito assustado da empregada que a encontra no chão rígida e fria. Um médico declarou ataque cardíaco e, no dia seguinte, a enterraram em Recoleta.

 

Uns dias depois, seu caixão aparece aberto. Os policiais disseram que foi um roubo, porém suas joias estavam intactas. Sua mãe acreditou que a filha havia sofrido um ataque de catalepsia e que a haviam enterrado viva! Ela acredita que a filha acordou ali dentro, logo tentou sair, mas não conseguia e o desespero lhe causou um ataque do coração, dessa vez para sempre.

 

Muitos contam diferentes lendas. Uma das versões afirma que Luisa e Hipólito subministravam sonífero à Rufina para que eles pudessem se encontrar em segredo e, naquele dia, deram uma dose maior do sonífero que a colocou em coma. Uma segunda versão afirma que Rufina teve um ataque do coração quando uma amiga revela o affair de sua mãe com o seu prometido, um desgosto tão forte que a levou à morte.

 

Conhecida como a mulher que morreu duas vezes, não é estranho que a escultura do seu mausoléu seja justamente ela com a mão na porta como se pudesse entrar e sair quando quisesse.

  

Liliana Crociati.


Filha de um pintor e poeta italiano, morreu asfixiada aos 20 anos de idade em sua lua de mel nos Alpes austríacos, e por uma estranha coincidência, nesse mesmo dia, em Buenos Aires falece Sabú, o seu cachorro.

 

Por esse motivo a sua escultura a mostra vestida de noite, com o seu anel de casamento e junto ao seu cachorro. Dizem que dentro da sua tumba se encontram diferentes quadros pintados pelos seus amigos de Bellas Artes.

 


Dizem que um jovem rapaz misterioso costuma deixar um ramos de flores, porém ele nunca se deixa ver...

 

A dama de branco.

Foto por Infobae


Luz María, filha do dramaturgo Enrique García Velloso, morreu de leucemia em 1925 com quinze anos de idade.

 

Cinco anos após sua morte, um jovem da alta sociedade viu uma garota chorando e soluçando sem parar, se aproximou e lhe ofereceu um lenço para secar suas lágrimas e a convidou para tomar um café, ele emprestou o casaco do seu terno e lá foram juntos. Ao anoitecer, ela disse que se chamada Luz María e ele a beijou, logo, ela fugiu dizendo que tinha que ir embora e, ao se levantar, derramou um pouco de café em seu casaco.

Ele a seguiu e tinha certeza de que a havia visto entrar no cemitério, conversou com o coveiro e depois de muito insistir conseguiu entrar. Caminhou pelo lugar e encontrou o seu casaco manchado de café, ao subir o olhar encontrou a figura da garota convertido em mármore puro com o seu nome.

 

Brigados pela eternidade.


Salvador María del Carril (vice presidente de Urquiza) e Tiburcia Domínguez era um casal que vivia discutindo. A sua última briga foi resultado de uma carta pública que informava aos credores da sua mulher que ele não se responsabilizaria pelas dívidas da mulher.

A partir desse momento não voltaram a se falar em vinte e um anos de convivência. Quando Salvador morreu, Tiburcia ordenou que fizesse um dos monumentos mais impressionantes de Recoleta: ele sentado em uma poltrona olhando para o sul. Mas ela tinha uma carta na manga, seu último desejo foi que tivesse seu busto instalado de costas para ele, assim representando a maneira que viveram toda a sua vida.

 

David Alleno.


Foto por Infobae

Trabalhou no cemitério de Recoleta entre 1881 e 1910. Ele tinha o objetivo de ser enterrado ali e assim o fez, economizando muito dinheiro para comprar o lote, acabou construindo seu túmulo com as próprias mãos, porém, o cemitério exigia respeitar um padrão estético e em busca de terminar a sua obra de arte, viaja até Gênova e contrata um escultor para fazer sua escultura.

Ele foi representado em mármore com sua roupa de trabalho, uma vassoura e as suas chaves. Uma vez terminado o trabalho, acabou se suicidando com apenas 35 anos. Dizem que às vezes é possível escutar ruídos de ferramentas e materiais, já que ele não estava conformado com o resultado final do seu mausoléu e a continua reformando após a morte.

 

E você, conhece alguma história assim do lugar onde você mora?

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2 comentários

  1. É de arrepiar. Belas histórias e estatuetas.

    Bom fim de semana!

    Jovem Jornalista
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    Até mais, Emerson Garcia

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  2. Oi, Ayu!
    Sabe que eu estive aí três vezes e não tive coragem de entrar no cemitério em nenhuma delas?!
    De qualquer modo, adoro esse modo dos argentinos de fazer do cemitério um lugar em que a morte abre o espaço para uma certa continuidade da vida, nem que seja por meio de todas as histórias que você narrou aqui.

    Um beijo,
    Fernanda Rodrigues | contato@algumasobservacoes.com
    Algumas Observações
    Projeto Escrita Criativa

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